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REGIÕES HIDROGRÁFICAS |
A bacia hidrográfica do
rio São Francisco tem grande importância para o país não apenas
pelo volume de água transportado em uma região semi-árida,
mas, também, pelo potencial hídrico passível de aproveitamento
e por sua contribuição histórica e econômica para a região. |
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Devido à sua extensão e diferentes ambientes percorridos, a Bacia está dividida em 4 regiões: Alto São Francisco - das nascentes até a cidade de Pirapora (111.804km2 - 17,5% da região); Médio São Francisco - de Pirapora até Remanso (339.763km2 - 53% da região); Sub-Médio São Francisco - de Remanso até Paulo Afonso (155.637km2 - 24,4% da região); e o Baixo São Francisco - de Paulo Afonso até sua foz (32.013km2 - 5,1% da região). Cerca de 16,14 milhões de pessoas (9,5% da população do país) habitam a bacia hidrográfica do São Francisco, com maior concentração no Alto (56%) e Médio São Francisco (24%). A população urbana representa 77% da população total e a densidade populacional é de 22 hab/km2. Nas demais regiões, observa-se percentual de população da ordem de 10% no Sub-Médio e no Baixo São Francisco. Os dados referentes à população urbana e rural, e taxa de urbanização estão apresentados na tabela abaixo:
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A Bacia do São Francisco contempla fragmentos dos biomas: floresta Atlântica,
cerrado, caatinga, costeiros e insulares. O cerrado cobre, praticamente,
metade da área da bacia - de Minas Gerais ao oeste e sul da Bahia, enquanto
a caatinga predomina no nordeste da Bahia, onde as condições climáticas
são mais severas. Um exemplar da floresta Atlântica, devastada pelo uso
agrícola e pastagens, ocorre no Alto São Francisco, principalmente nas
cabeceiras. Margeando os rios, onde a umidade é mais elevada, observam-se
regiões de Mata Seca. |
Do ponto de vista mineral, a região do São Francisco é um riquíssimo
depósito, com jazidas localizadas principalmente no alto rio das Velhas.
As reservas minerais, em relação às reservas nacionais, são de: 100%
de agalmatolito e cádmio; 95% de ardósia, diamante e serpentinito industrial;
75% de enxofre e zinco; 65% de chumbo; 60% de cristal; 50% de gemas;
entre 40 e 20% de dolomito, quartzo, ouro, granito, cromita, ferro, gnaisse,
calcário, mármore e urânio. |
Um panorama da bacia hidrográfica do rio São Francisco pode ser observado
a partir de três indicadores socioeconômicos: 1. a mortalidade infantil na
região apresenta variações entre 25,66‰ (MG) e 64,38‰ (AL), em sua maior
parte, com valores superiores a média nacional, que é de 33,55‰; 2. o PIB contempla
variações entre R$ 2.275,00 (AL) até R$ 5.239,00 (MG), enquanto a média
nacional é de R$ 5.740,00 e 3. o Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) - que combina aspectos de renda, saúde e educação - varia entre
0,823 no Alto São Francisco, onde está localizada a região metropolitana
de Belo Horizonte, a 0,538 nas demais sub-bacias. Um outro aspecto significativo
no cenário social e econômico da região diz respeito à agricultura. A
região possui cerca de 35,5 milhões de hectares agricultáveis, com maior
concentração nas proximidades dos vales e das zonas urbanas. Ainda dentro
do sistema de produção da região, observa-se o crescimento da agricultura
de sequeiro para produção de soja e milho, da pecuária, com ênfase na
bovinocultura e caprinocultura, da pesca e aqüicultura, da indústria
e agroindústria, das atividades minerais, e das atividades ligadas ao
turismo e lazer.
O rio São Francisco tem, entre rios, riachos, ribeirões, córregos e veredas, 168 afluentes, dos quais 99 são perenes e 69 são intermitentes. Os mais importantes formadores com regime perene são os rios: Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande, pela margem esquerda, e das Velhas, Jequitaí e Verde Grande, pela margem direita. Abaixo do rio Grande (da Bahia), os afluentes, situados no polígono das secas, são intermitentes, secam nos períodos de pouca pluviosidade e produzem grandes torrentes na época das chuvas. |
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As
vazões do rio São Francisco podem ser assim resumidas: Vazão média
anual-máxima de 5.244 m3/s, média de 2.850 m3/s, mínima de 1.768 m3/s,
máxima mensal de 13.743 m3/s (ocorrente em março) e mínima mensal de
644 m3/s (ocorrente em outubro). Quanto às vazões específicas, temos:
igual 11,1 l/s/km2 no Alto São Francisco, 5,0 l/s/km2 no Médio, 2,4
l/s/km2 no Submédio e 4,7 l/s/km2 no Baixo, conforme ilustradas na
Figura ao lado. A baixa vazão específica média na região do Sub-médio é influenciada
pela elevada perda por evaporação na represa de Sobradinho. |
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Em termos de água subterrânea, a maior parte da bacia é constituída por rochas cristalinas, com possibilidade de armazenamento e circulação de água restrita às falhas e fraturas. A produtividade dos poços está entre média a fraca (3 a 25 m3/h) no Alto e, em porções do Médio São Francisco, em geral menores que 3 m3/h, às vezes águas com elevada salinidade. Os poços localizados nos sedimentos aluviais, flúvio-marinhos, eólicos e costeiros apresentam média de vazão de 10 m3/h e águas com boa qualidade. O potencial de explotação, sem provocar exaustão ou degradação dos aqüíferos, é estimado em 8.755 hm3/ano. A tabela abaixo sintetiza as informações sobre a disponibilidade e demanda de recursos hídricos na bacia hidrográfica do rio São Francisco. |
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P
- precipitação, E - evapotranspiração, Q - vazão média por trecho.
* Vazão do trecho anterior acrescentada; ** A vazão média total da
região é inferior a soma das vazões médias das sub-regiões em função
da elevada perda por evaporação devido à regularização de vazões nos
rios pelos reservatórios.A demanda total pelo uso da água na bacia
representa cerca de 8% da vazão média, estando as maiores solicitações
no Médio e Sub-Médio, decorrentes, principalmente, do uso para irrigação. A Figura ao lado apresenta a distribuição percentual das demandas de água na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Observa-se que mais de 70% da demanda é para uso na irrigação. |
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A
Figura abaixo apresenta a distribuição das demandas por regiões,
onde se verifica que a elevada utilização de água para irrigação,
mostrada anteriormente, está concentrada prioritariamente no Médio
e Sub-médio São Francisco. A área irrigada é de 336.200 hectares
- correspondendo a 11% dos 2,9 milhões de hectares irrigados no Brasil.
Os projetos privados correspondem a 55% desta área irrigada sendo
as demais áreas administradas por projetos públicos. |
| Os
eventos hidrológicos críticos na bacia podem ser caracterizados pelas
enchentes - principalmente nos afluentes no Alto São Francisco, além
de ocorrências na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nas cidades
de Divinópolis, Itaúna, Montes Claros, nos vales do Paraopeba e Paracatu,
e nas cidades ribeirinhas de Pirapora, Janaína e Manga. As estiagens
ocorrem principalmente no Médio e Sub-médio, provocando perdas na
produção agrícola, aumentando o êxodo rural e agravando o ritmo do
crescimento urbano. No
que se refere ao transporte hidroviário, o rio São Francisco apresenta
dois trechos principais: o primeiro de 1.312 km entre Pirapora (MG) e
Juazeiro (BA); e o segundo, com 208 km, entre Piranhas (AL) e a foz do
Rio. Este último trecho tem nas barragens os maiores obstáculos para
a navegação comercial. Além desses trechos, à jusante de Juazeiro, existem
cerca de 150 km navegáveis até Santa Maria da Boa Vista (PE), com características
não muito favoráveis, que, porém, não impedem a navegação. No total são
cerca de 1.670 km navegáveis na calha do Rio, ao que se pode acrescentar
outros 700 km nos seus afluentes (rio Paracatu - 104 km, rio Corrente
- 155 km, rio Grande - 351 km e rio das Velhas - 90 km).
É grande o potencial para o desenvolvimento da pesca, estimando-se em 600.000 ha a superfície do espelho d'água do curso principal, dos afluentes, dos reservatórios das hidrelétricas e das barragens públicas e privadas. Em termos de turismo e lazer, ainda é incipiente este uso, à despeito das possibilidades oferecidas por seus vários reservatórios, do turismo ecológico e da pesca no curso principal e nos seus principais afluentes. Nesse caso, o setor carece de definição de política e estratégia para o uso racional dos lagos dos reservatórios como possibilidade de ofertar lazer de baixo custo à sociedade. |
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De modo geral, a bacia do rio São Francisco apresenta: |